Transicionar a UFC
Janeiro é um tempo de passagem. O ano ainda aprende a caminhar, e a universidade também se reorganiza entre retomadas e expectativas. Por isso, quisemos começar ouvindo alguém que faz do movimento um modo de existir na UFC. Grá Dias é assim.
Entre cabos, câmeras e imagens, trabalha como técnico de audiovisual na Universidade Federal do Ceará. Entre livros, palavras e escuta atenta, cursa o doutorado em Letras, pesquisando literatura e cinema. Entre reuniões, articulações, escrita e desenvolvimento de projetos, atua na Pró-Reitoria de Cultura e integra a presidência do Grupo de Trabalho de Políticas Trans da UFC, criado no fim do ano passado. São muitos atravessamentos, mas todos apontam para a mesma direção: a recusa da imobilidade.
A universidade foi sendo, para Grá, espaço de formação e também de confronto. Ali se abriram oportunidades, mas também se revelaram limites. Nem todos os corpos circulam com a mesma facilidade. Nem todas as presenças são igualmente reconhecidas. Talvez por isso tenha escolhido não apenas ocupar a universidade, mas se implicar nela. O trabalho no GT nasce do gesto necessário de pensar políticas que tratem de acesso, permanência, infraestrutura, letramento e produção de dados como condições concretas de pertencimento para pessoas trans na UFC. É sobre disputar sentidos sobre quem pode estar, permanecer e produzir conhecimento na universidade pública.
Ao longo desse percurso, aprendemos que a experiência trans não se encerra na intimidade de um corpo. Ela desloca o cotidiano e nos obriga a repensar como convivemos com pessoas trans na sala de aula, na família, no trabalho, nos afetos, nos encontros. Mais do que uma identidade, trata-se de reconhecer e conviver com diferentes modos de existir no mundo, ampliando o que entendemos por presença, respeito e pertencimento.
Neste mês de janeiro, quando o Dia Nacional da Visibilidade Trans marca o encerramento do calendário, esta edição da Newsletter de Equidade, Diversidade e Inclusão convida a sustentar esse movimento. Porque uma universidade pública só cumpre seu papel quando é capaz de transicionar junto com as pessoas que a constroem, todos os dias.
Confira a edição da EDI NEWS 016 na íntegra.
Fonte: EDI NEWS – Divisão de Equidade, Diversidade e Inclusão (EDI/COLEP/PROGEP/UFC) – Contato: edi@ufc.br

