A Universidade Federal do Ceará (UFC) teve 20 projetos aprovados no edital nº 11/2024 – Programa de Bolsa de Produtividade em Pesquisa e Estímulo à Interiorização e Inovação (BPI), da Funcap – (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Do total de 120 propostas selecionadas, nove são do campus de Sobral, quatro de Crateús, três de Quixadá, três de Russas e uma de Itapajé.
O programa prevê pagamento, durante dois anos, de bolsa de produtividade no valor de R$ 1.200 para pesquisadores doutores vinculados a instituições de ensino superior ou instituições de pesquisa localizadas em municípios do interior, além de bolsas de iniciação científica no valor de R$ 700 para até três alunos por projeto. O financiamento também inclui adicional de bancada de até R$ 36.000 ao longo desses dois anos – voltado ao custeio de despesas como materiais de consumo, equipamentos, peças, softwares, serviços de instalação, recuperação e manutenção, material bibliográfico, diárias e passagens.
Com orçamentos entre 80 e 115 mil reais, os projetos da UFC devem captar um investimento de mais de R$ 1,5 milhão para os campi do interior. Esse êxito contribui não apenas para consolidar a expansão da universidade, mas para o aumento da produção científica, tecnológica e de inovação de qualidade no Ceará, de maneira descentralizada, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico em todo o estado.
As propostas chamam atenção pela diversidade de temas e de áreas do conhecimento. Há desde pesquisas nas chamadas ciências duras – engenharias, matemática, bioquímica, computação – até economia, música e psicologia. Em todas elas, é unânime o reconhecimento dos pesquisadores sobre a importância do programa.
“Essa bolsa é fundamental, temos os congressos nacionais e internacionais, por exemplo, e sem suporte a gente não tem como pagar passagem, inscrição, hospedagem, alimentação. E a difusão da ciência acontece exatamente nos congressos”, comenta a professora Alesandra de Araújo Benevides, do curso de Ciências Econômicas do campus de Sobral.
A mesma avaliação é feita pelo docente Antônio Emerson Barros Tomaz, dos cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação do campus de Crateús. “O financiamento garante recursos humanos qualificados (bolsista de iniciação científica), meios materiais e tempo dedicado pelo pesquisador para que a pesquisa avance de forma consistente”, resume.
CONHEÇA OS PROJETOS APROVADOS DO CAMPUS DE RUSSAS
Carlos Humberto Oliveira Costa – campus Russas – setor de estudos: Física geral
O projeto pretende pesquisar como as ferramentas de inteligência artificial podem auxiliar na otimização dos parâmetros topológicos de redes fotônicas, fonônicas e magnônicas. O trabalho acontece em parceria com pesquisadores do IFCE e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que integram o grupo de pesquisa TopoSystems, voltado à física da matéria condensada e sistemas tipológicos.
Gastão Silves Ferreira Frederico – campus Russas – setor de estudos: Matemática
O projeto tem como objetivo apresentar os fundamentos do cálculo variacional fracionário fuzzy para funções que assumem valores no espaço dos números fuzzy linearmente correlacionados R(A). O espaço R(A) é constituído por todas as somas de um número real r com um número fuzzy qA, em que A é um número fuzzy assimétrico fixado e q é um número real arbitrário. No decorrer do trabalho, será apresentada uma versão fuzzy das primeiras e segundas condições de otimalidade, formuladas em termos das derivadas fracionárias da função f. Além disso, serão desenvolvidas uma versão fuzzy generalizada do lema fracionário de du Bois–Reymond e uma versão fuzzy do princípio de Noether fracionário — ambos elementos fundamentais na formulação teórica do cálculo variacional fracionário fuzzy.
Laís Cristina Barbosa Costa – campus Russas – curso de Engenharia Civil
O objetivo da pesquisa é desenvolver um pavimento do tipo paver (com blocos intertravados) termoeficiente, incorporando escória de aciaria (subproduto gerado durante a produção do aço) com capacidade de capturar CO2. O projeto foi idealizado levando em consideração o impacto ambiental gerado pelas atividades da construção civil, setor responsável por um grande consumo de recursos naturais e por uma das maiores cargas de emissão de CO2. No contexto da regulamentação do mercado de créditos de carbono no Brasil, a preocupação em reduzir ou compensar essas emissões é constante e iniciativas de tecnologia e inovação, sendo a captura de CO2 uma das soluções possívei – quando o dióxido de carbono presente na atmosfera é fixado em algum elemento (papel da escória de aciaria na pesquisa).
Fonte: Secretaria de Comunicação da UFC – e-mail: ufcinforma@ufc.br

